A indústria financeira tem sido uma grande fonte de novas tecnologias e estratégias de impulsionamento dos negócios. As possibilidades se multiplicam com inteligência artificial, cloud, microsserviços, Open Finance, blockchain, arquiteturas orientadas a eventos e muitas outras inovações.
Mas existe uma pergunta que poucas organizações fazem com profundidade:
Como sustentar a inovação sem comprometer eficiência, a governança e o resultado financeiro?
É nesse ponto que FinOps se torna disciplina estratégica.
Em episódio recente do NT Talks Learning Sessions com Moisés Lós, IT Leader na F1RST (Grupo Santander), conversamos sobre sua experiência liderando times globais em um dos ambientes mais regulados e complexos do mercado.
A conversa revelou algo fundamental: inovação sem governança financeira não escala.
Ouça o episódio completo aqui:
FinOps é maturidade
Existe um equívoco comum quando o assunto é FinOps.
Muitos associam o tema apenas à redução de gastos com cloud. Mas, na prática, FinOps é um modelo de governança que conecta engenharia, arquitetura, finanças e estratégia de negócio.
Não existe “nível mínimo de maturidade” para começar. Pelo contrário: quanto antes a disciplina entra na organização, maior a capacidade de evoluir com previsibilidade.
O objetivo final não é apenas monitorar faturas. É chegar a perguntas mais sofisticadas, como:
- Quanto custa cada funcionalidade do meu negócio?
- Qual é o custo real de uma API exposta no Open Banking?
- Quanto a jornada de consulta de saldo impacta minha infraestrutura mensal?
Esse nível de clareza transforma decisões técnicas em decisões estratégicas.
Quando a engenharia é influenciada por decisões financeiras
Uma das partes mais interessantes da conversa foi o relato sobre refatoração de arquitetura por motivos financeiros.
Estamos falando de microsserviços redesenhados porque determinadas funcionalidades de baixo uso estavam “presas” a estruturas de alto custo. A decisão foi clara: separar serviços, reorganizar dependências e redefinir consumo de infraestrutura.
O resultado?
Arquitetura mais eficiente e financeiramente sustentável.
Isso muda o papel do engenheiro de software. Hoje, não é mais suficiente entregar código funcional. É necessário compreender impacto financeiro, consumo de recursos e modelo de negócio.
A engenharia deixou de ser apenas técnica. Tornou-se estratégica.
FinOps e IA em ambientes regulados
O uso de inteligência artificial em ambientes altamente regulados é um ponto de extrema relevância quando o assunto é eficiência com governança.
Segundo o relatório internacional Dados do State of FinOps 2026 (FinOps Foundation)¹, FinOps para IA é a principal prioridade para o futuro. A gestão de custos de IA é a habilidade número 1 que as equipes precisam desenvolver.
De acordo com o mesmo, muitas organizações relatam que foram solicitadas a autofinanciar investimentos em IA por meio de economias com otimização, vinculando o trabalho tradicional de FinOps diretamente à habilitação tecnológica estratégica.
A agenda é dupla: gerenciar os gastos com IA e aplicar IA para melhorar a produtividade da equipe de FinOps e o valor das iniciativas de IA.
O setor financeiro convive com:
- Regulações do Bacen
- LGPD
- Normativas internacionais
- Requisitos de compliance globais
Nesse cenário, inovação não começa perguntando “o que a tecnologia permite fazer”.
Começa perguntando:
O que não posso fazer?
A partir desse limite regulatório, constrói-se o espaço seguro para inovar.
Essa lógica evita o erro que muitas empresas cometeram na migração para cloud: adotar tecnologia sem modelo de governança, resultando em custos inesperados e riscos operacionais.
Com IA, o princípio é o mesmo. Ela pode e deve ser utilizada como aceleradora, inclusive em modelos de maturidade FinOps, mas sempre cercada de controles, trilhas de auditoria e revisão humana quando necessário.
Fonte¹: State of FinOps 2026 Report
Inovação com responsabilidade: a maturidade brasileira
Um ponto interessante levantado foi a maturidade dos times no Brasil.
O sistema financeiro brasileiro é reconhecido globalmente por sua robustez e segurança. Isso cria uma cultura de análise de risco mais criteriosa.
Em vez de adotar tecnologia pelo entusiasmo do momento, a abordagem costuma ser:
- Entender risco regulatório
- Avaliar impacto financeiro
- Garantir aderência às normas
- Inovar com controle
Quando os requisitos são atendidos, o espaço para inovação se amplia de forma consistente.
Essa combinação entre ousadia e responsabilidade é o que permite escalar transformação digital sem comprometer estabilidade.
FinOps como disciplina estratégica para os próximos anos
FinOps não é um tema novo. A gestão financeira sempre existiu. O que mudou foi a escala.
Cloud, microsserviços e arquiteturas distribuídas tornaram a visibilidade de custo mais complexa. E, sem visibilidade, não há governança.
Nos próximos anos, veremos uma evolução clara:
- Maior integração entre FinOps e arquitetura corporativa
- Uso crescente de IA como aceleradora de análises de maturidade
- Decisões arquiteturais orientadas por custo por funcionalidade
- Engenharia cada vez mais orientada a valor de negócio
Organizações que incorporam FinOps como disciplina estratégica estarão preparadas para sustentar inovação de forma contínua.
Sustentar inovação exige mais do que tecnologia
Tecnologia não é o fim. É o meio.
O que sustenta inovação no setor financeiro é a combinação de:
- Governança
- Engenharia consciente
- Comunicação eficaz
- Visão de negócio
- Melhorias constantes
- Inovar é importante. Sustentar a inovação é estratégico.
E, nesse cenário, FinOps deixa de ser uma prática operacional e passa a ser um pilar estrutural para organizações que desejam crescer com responsabilidade e escala.
Se esse tema está no seu radar, nos mande uma mensagem e vamos conversar sobre como podemos apoiar o seu negócio.



