Automação e Orquestração de Processos Acelerando a Geração de Valor em Ambientes Complexos  

fev 19, 2026 | Camunda, NTConsult

Empresas operando em ambientes regulados e altamente distribuídos enfrentam um paradoxo: precisam acelerar, mas não podem perder controle. 

A automação é frequentemente apresentada como resposta para eficiência operacional. No entanto, à medida que a complexidade organizacional cresce com múltiplos sistemas, microsserviços, APIs, regras regulatórias e dependências interdepartamentais, a automação isolada deixa de ser suficiente. 

O que passa a ser necessário é orquestração. 

Em um episódio recente do NT Talks, Carlos Simidu, líder de automação e plataformas na F1RST (Grupo Santander), compartilhou aprendizados sobre como estruturar automação com maturidade técnica e governança em ambientes complexos.  

Ouça o episódio completo no Spotify:

Este artigo aprofunda esse debate sob uma perspectiva arquitetural e estratégica. 

Por que a orquestração é tão essencial no cenário atual?

Grande parte das iniciativas corporativas começa com automações pontuais: 

  • Scripts para reduzir tarefas repetitivas. 
  • Bots para interação com sistemas legados. 
  • Integrações via API. 
  • Self-healing para remediação automática de incidentes 

Essas iniciativas resolvem problemas locais. Mas ambientes enterprise são compostos por fluxos interdependentes. 

orquestração vai muito além, envolvendo o gerenciamento de fluxos de trabalho complexos e tarefas interdependentes em diversos sistemas e equipes. Ela garante que cada etapa de um processo de negócios seja executada na sequência correta, no momento certo e com os recursos adequados. 

É dessa forma que a orquestração ajuda as organizações a trabalharem com as pessoas, os sistemas e os dispositivos que já possuem, alcançando até mesmo as metas mais ambiciosas em termos de automação de processos de ponta a ponta. 

De forma simples e direta: 

O impacto da complexidade crescente

Segundo o relatório Predictions 2026: Automation And Robotics¹, publicado pela Forrester, a maturidade da automação empresarial entrará em uma nova fase até 2026: organizações líderes deixarão de tratar automação como um conjunto de iniciativas isoladas e passarão a estruturar frameworks integrados que combinem automação determinística, capacidades cognitivas e governança de ponta a ponta, tudo orquestrado para funcionar com sinergia. 

A Forrester destaca que a fragmentação tecnológica e a ausência de orquestração estruturada são hoje os principais limitadores de ROI em automação, especialmente em ambientes com múltiplos sistemas distribuídos e alto grau de interdependência operacional. 

Em arquiteturas modernas, onde microsserviços, APIs e eventos convivem com decisões humanas e regras regulatórias, não basta automatizar tarefas: é preciso coordenar estados, sequências e exceções ao longo do tempo.  

Fonte¹: Predictions 2026: Automation And Robotics | Forrester 

Camunda e orquestração

Plataformas como Camunda surgem exatamente para enfrentar esse cenário. 

Ao utilizar BPMN como padrão de modelagem, a organização passa a ter: 

  • Processos explícitos, visíveis e versionados. 
  • Separação entre regra de negócio e código de execução. 
  • Suporte a long-running processes (dias ou meses). 
  • Tratamento estruturado de exceções. 
  • Observabilidade completa de instâncias. 

Isso é especialmente relevante em ambientes financeiros, onde rastreabilidade e auditoria são vitais. 

Quando a lógica de fluxo está apenas no código, qualquer alteração exige intervenção técnica profunda.  

Quando o fluxo está modelado e orquestrado, mudanças podem ser controladas com menor risco e maior governança. 

Superando um desafio clássico: como definir a prioridade dos processos a serem automatizados?

Um dos pontos mais críticos discutidos no podcast com Carlos Simidu foi o risco de automatizar processos que nunca foram revisados. Automação amplifica estrutura existente. Se um processo contém: 

  • Aprovações redundantes. 
  • Relatórios que não geram decisão. 
  • Etapas criadas por herança organizacional. 

Automatizar esse fluxo apenas acelera desperdício. 

Cultura lean é pré-requisito técnico, não apenas filosófico. 

 

Antes de orquestrar, é necessário eliminar. Isso reduz: 

  • Latência operacional. 
  • Consumo desnecessário de recursos. 
  • Complexidade arquitetural. 

Veja este short do episódio em nosso YouTube em que Carlos Simidu explica sobre o assunto:

Governança e ciclo de vida: a maturidade real 

A maioria das organizações mede criação de automações. Poucas medem obsolescência. 

Perguntas estruturais: 

  • Quem é responsável por essa automação? 
  • Ela ainda gera valor? 
  • Existe monitoramento ativo? 
  • Há plano de desativação? 

Maturidade significa: 

  • Versionamento de processos. 
  • Observabilidade. 
  • Logs estruturados. 
  • Indicadores de SLA. 
  • Revisões periódicas. 
  • Política de sunset. 

Sem isso, a automação se torna uma nova camada de complexidade. 

Superar o desafio de automatizar processos ineficientes começa com uma inversão de lógica: antes de perguntar “como automatizar?”, é preciso perguntar “por que esse processo existe e que valor ele gera?”.  

Automatizar um fluxo sem revisá-lo apenas cristaliza desperdícios e amplia gargalos. A abordagem madura combina análise de processo (mapeamento ponta a ponta), identificação de etapas redundantes, revisão de regras de negócio e eliminação de atividades que não agregam valor.  

Práticas como Lean e análise de variabilidade ajudam a enxergar onde há retrabalho, espera desnecessária, aprovações excessivas ou geração de dados sem uso real. Só depois dessa limpeza estrutural a automação deve ser implementada. 

Definir a ordem de prioridade para automação e orquestração exige critérios objetivos, não impulso técnico. Uma matriz simples e eficaz combina três dimensões: 

  1. Impacto no negócio (volume, risco, receita ou custo). 
  2. Complexidade operacional (número de sistemas envolvidos, dependências, variabilidade). 
  3. Frequência de execução. 

Complexidade exige método e liderança 

Automação não pode ser tratada como iniciativa pontual ou solução tática. Ela precisa ser estruturada com clareza de processo, liderança técnica, disciplina arquitetural e governança contínua.  

Organizações que entendem essa diferença deixam de perseguir volume de automações e passam a construir uma base sustentável de eficiência e controle. Se esse é um tema estratégico para sua empresa, vale aprofundar a discussão e explorar como estruturar uma jornada de automação realmente madura. 

Entre em contato com o nosso time de especialistas e vamos juntos ajudar sua organização a automatizar e orquestrar com clareza e alto ROI. 

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