Empresas operando em ambientes regulados e altamente distribuídos enfrentam um paradoxo: precisam acelerar, mas não podem perder controle.
A automação é frequentemente apresentada como resposta para eficiência operacional. No entanto, à medida que a complexidade organizacional cresce com múltiplos sistemas, microsserviços, APIs, regras regulatórias e dependências interdepartamentais, a automação isolada deixa de ser suficiente.
O que passa a ser necessário é orquestração.
Em um episódio recente do NT Talks, Carlos Simidu, líder de automação e plataformas na F1RST (Grupo Santander), compartilhou aprendizados sobre como estruturar automação com maturidade técnica e governança em ambientes complexos.
Ouça o episódio completo no Spotify:
Este artigo aprofunda esse debate sob uma perspectiva arquitetural e estratégica.
Por que a orquestração é tão essencial no cenário atual?
Grande parte das iniciativas corporativas começa com automações pontuais:
- Scripts para reduzir tarefas repetitivas.
- Bots para interação com sistemas legados.
- Integrações via API.
- Self-healing para remediação automática de incidentes
Essas iniciativas resolvem problemas locais. Mas ambientes enterprise são compostos por fluxos interdependentes.
A orquestração vai muito além, envolvendo o gerenciamento de fluxos de trabalho complexos e tarefas interdependentes em diversos sistemas e equipes. Ela garante que cada etapa de um processo de negócios seja executada na sequência correta, no momento certo e com os recursos adequados.
É dessa forma que a orquestração ajuda as organizações a trabalharem com as pessoas, os sistemas e os dispositivos que já possuem, alcançando até mesmo as metas mais ambiciosas em termos de automação de processos de ponta a ponta.
De forma simples e direta:
O impacto da complexidade crescente
Segundo o relatório Predictions 2026: Automation And Robotics¹, publicado pela Forrester, a maturidade da automação empresarial entrará em uma nova fase até 2026: organizações líderes deixarão de tratar automação como um conjunto de iniciativas isoladas e passarão a estruturar frameworks integrados que combinem automação determinística, capacidades cognitivas e governança de ponta a ponta, tudo orquestrado para funcionar com sinergia.
A Forrester destaca que a fragmentação tecnológica e a ausência de orquestração estruturada são hoje os principais limitadores de ROI em automação, especialmente em ambientes com múltiplos sistemas distribuídos e alto grau de interdependência operacional.
Em arquiteturas modernas, onde microsserviços, APIs e eventos convivem com decisões humanas e regras regulatórias, não basta automatizar tarefas: é preciso coordenar estados, sequências e exceções ao longo do tempo.
Fonte¹: Predictions 2026: Automation And Robotics | Forrester
Camunda e orquestração
Plataformas como Camunda surgem exatamente para enfrentar esse cenário.
Ao utilizar BPMN como padrão de modelagem, a organização passa a ter:
- Processos explícitos, visíveis e versionados.
- Separação entre regra de negócio e código de execução.
- Suporte a long-running processes (dias ou meses).
- Tratamento estruturado de exceções.
- Observabilidade completa de instâncias.
Isso é especialmente relevante em ambientes financeiros, onde rastreabilidade e auditoria são vitais.
Quando a lógica de fluxo está apenas no código, qualquer alteração exige intervenção técnica profunda.
Quando o fluxo está modelado e orquestrado, mudanças podem ser controladas com menor risco e maior governança.
Superando um desafio clássico: como definir a prioridade dos processos a serem automatizados?
Um dos pontos mais críticos discutidos no podcast com Carlos Simidu foi o risco de automatizar processos que nunca foram revisados. Automação amplifica estrutura existente. Se um processo contém:
- Aprovações redundantes.
- Relatórios que não geram decisão.
- Etapas criadas por herança organizacional.
Automatizar esse fluxo apenas acelera desperdício.
Cultura lean é pré-requisito técnico, não apenas filosófico.
Antes de orquestrar, é necessário eliminar. Isso reduz:
- Latência operacional.
- Consumo desnecessário de recursos.
- Complexidade arquitetural.
Veja este short do episódio em nosso YouTube em que Carlos Simidu explica sobre o assunto:
Governança e ciclo de vida: a maturidade real
A maioria das organizações mede criação de automações. Poucas medem obsolescência.
Perguntas estruturais:
- Quem é responsável por essa automação?
- Ela ainda gera valor?
- Existe monitoramento ativo?
- Há plano de desativação?
Maturidade significa:
- Versionamento de processos.
- Observabilidade.
- Logs estruturados.
- Indicadores de SLA.
- Revisões periódicas.
- Política de sunset.
Sem isso, a automação se torna uma nova camada de complexidade.
Superar o desafio de automatizar processos ineficientes começa com uma inversão de lógica: antes de perguntar “como automatizar?”, é preciso perguntar “por que esse processo existe e que valor ele gera?”.
Automatizar um fluxo sem revisá-lo apenas cristaliza desperdícios e amplia gargalos. A abordagem madura combina análise de processo (mapeamento ponta a ponta), identificação de etapas redundantes, revisão de regras de negócio e eliminação de atividades que não agregam valor.
Práticas como Lean e análise de variabilidade ajudam a enxergar onde há retrabalho, espera desnecessária, aprovações excessivas ou geração de dados sem uso real. Só depois dessa limpeza estrutural a automação deve ser implementada.
Definir a ordem de prioridade para automação e orquestração exige critérios objetivos, não impulso técnico. Uma matriz simples e eficaz combina três dimensões:
- Impacto no negócio (volume, risco, receita ou custo).
- Complexidade operacional (número de sistemas envolvidos, dependências, variabilidade).
- Frequência de execução.
Complexidade exige método e liderança
Automação não pode ser tratada como iniciativa pontual ou solução tática. Ela precisa ser estruturada com clareza de processo, liderança técnica, disciplina arquitetural e governança contínua.
Organizações que entendem essa diferença deixam de perseguir volume de automações e passam a construir uma base sustentável de eficiência e controle. Se esse é um tema estratégico para sua empresa, vale aprofundar a discussão e explorar como estruturar uma jornada de automação realmente madura.
Entre em contato com o nosso time de especialistas e vamos juntos ajudar sua organização a automatizar e orquestrar com clareza e alto ROI.



